14 set 2016

Por que existe tanto lixo?

por há 1 ano atrás
Lixo
Por que existe tanto lixo?

A resposta para tal questão está fundamentada no fato de não visualizarmos o todo do sistema produtivo no qual estamos inseridos, e também pelo fato de adotarmos práticas de produção lineares: extraímos os recursos naturais, processamos, consumimos e descartamos. Isso acontece desde as primeiras horas da manhã com o creme dental, ou o sabonete que usamos para lavar as mãos. Não associamos, por exemplo, que um copo plástico é um monte de petróleo extraído a duras custas, ou que a folha de papel é o pedaço de uma árvore.

O grande volume de lixo acumulado no planeta existe porque não nos sentimos parte dessa cadeia, estamos desconectados do meio ambiente. É ele que fornece os recursos usados para produzir os bens que consumimos. Cremos serem os recursos naturais abundantes e infinitos. Chegamos ao ponto em que “jogar fora” não existe do ponto de vista do planeta, já que não há lugar fora dele. Todo lixo tem um destino. Vemos a lixeira como um grande buraco mágico, de onde desaparece tudo aquilo que não queremos mais, sem analisarmos que os resíduos irão para outros lugares, mas que vão permanecer.

Precisamos repensar nossa relação com os resíduos que geramos. Parece irônico se analisarmos que somos formatados para a organização, desde gavetas, armários e mesa de trabalho, passando por carteiras enfileiradas em sala de aula e prateleiras de supermercado, sempre há um padrão. Porém, isso é esquecido quando tratamos de dar destinação aos nossos resíduos.

O final provável para o lixo descartado de forma inconsequente no meio ambiente são os rios e mares, cujo ecossistema está ameaçado, dada a quantidade de plástico jogado nos oceanos e os incontáveis registros de animais que ingeriram partículas desse material e que tiveram suas vidas abreviadas.

De acordo com a legislação brasileira, o sistema de gestão dos resíduos considera os aterros sanitários o destino adequado para o lixo não reciclável. Além de emitirem gases do efeito estufa, provenientes do material ali depositado, esses locais são um grande cemitério onde os resíduos enterrados passarão séculos até se decomporem.

Geramos o lixo no exato momento em que decidimos se ele terá ou não mais utilidade para nós; no exato momento em que o descartamos de maneira incorreta, impossibilitando que outros fins lhe sejam dados. Se analisarmos de perto nossa lixeira, veremos que ela é composta de diversos tipos de resíduos, muitos deles poderiam ser reutilizados para outros fins ou mesmo reciclados e voltarem como insumo para a cadeia produtiva. 

Gustavo Ritzmann

Diretor da Rastro Soluções Sustentáveis e membro do Fliperama Espaço Colaborativo
gustavo@rastrosolucoessustentaveis.com.br