Carnaval e o lixo da humanidade

20 de fevereiro de 2013, por em Artigos
Carnaval e o lixo da humanidade

Falar de gente é falar de tudo. Gente enseja as mais diferentes reflexões, do raso cotidiano às profundezas da alma. Assim, buscando abrir o olhar sobre as coisas que nos acontecem, pretendo abordar o lixo em seus vários contextos, inclusive no que tange às relações humanas, ao comportamento das pessoas e como reagem aos fatos. Por vivermos o rescaldo do carnaval, optei por comentar uma notícia que chamou minha atenção.

O Ministério da Justiça comemora a redução de 18% no número de mortes ocorridas no período do carnaval, de acordo com balanço divulgado quinta-feira (14). De fato, há o que se comemorar, analisando o dado estatístico de forma isolada. Por outro lado, foram 157 vidas perdidas, 1.932 motoristas com a carteira de habilitação apreendida e prisão de 600 condutores que foram flagrados dirigindo alcoolizados. Comemorar?

Estes números assustam, e muito. Ainda que tenha havido efetiva redução, ao comemorarmos, estamos nivelando por baixo a gravidade de uma situação concreta. Bate, de forma muito forte, uma sensação de descrença, ao perceber que apesar do rigor da lei, que aumentou a penalização de R$ 957,70 para R$ 1.915,40, (aplicada ao motorista flagrado embriagado, acrescida ao risco de responder por crime de trânsito) o ser humano permanece desafiando as leis, o perigo, colocando não só a vida dele em risco, mas o que é ainda pior, a de outras pessoas. Comemorar?

Ao observar os dados resultantes do carnaval, parece que a vida, infelizmente, continua sendo tratada como matéria-prima descartável, e nós, seres humanos, ativos no processo, o insumo que produz o lixo da humanidade.