Lixo: o lado incômodo do consumo

26 de dezembro de 2012, por em Artigos
Lixo: o lado incômodo do consumo

O aumento da população mundial, somado às crescentes demandas de consumo, está gerando um lixo descomunal no planeta. Em novembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou um alerta para os governos sobre a ameaça de que ocorra uma “crise global de resíduos”. De acordo com o Pnuma, programa da ONU para o meio ambiente, as cidades geram 1,3 bilhão de toneladas de resíduos sólidos anualmente, devendo chegar a 2,2 bilhões de toneladas até 2025. Atualmente, cada ser humano consome em média 9 toneladas de materiais ao longo de sua vida. Como são 7 bilhões de habitantes no planeta, fica fácil fazer a conta para se chegar ao volume de bens produzidos e, consequentemente, de lixo gerado por tamanho contingente populacional. O ritmo de consumo registra marcas históricas, superando em 50% a capacidade de recuperação do planeta. A previsão da ONU é de que chegaremos em 2050 na marca de 9 bilhões de habitantes.

A geração de lixo em níveis tão elevados sinaliza a dimensão do impacto da atividade humana na Terra. É lixo de toda ordem, muitos deles são pouco conhecidos, pouco divulgados ou sem nenhuma divulgação, como o lixo espacial, atômico e radioativo, por exemplo. Pairam na órbita terrestre detritos oriundos de naves espaciais, satélites, foguetes e outros fragmentos lançados no espaço por inúmeros países. Trata-se de detritos que podem causar acidentes e catástrofes para a humanidade cá abaixo dos céus. Mas se em alguns setores é difícil avaliar a quantidade de lixo gerado, em outros, é visível o seu crescimento, como é o caso do lixo industrial e doméstico.

Com a evolução tecnológica, os produtos tornam-se obsoletos da noite para o dia, tudo parece descartável, e tudo é superado com a avalanche de novas versões que chegam ao mercado. A população, de outro lado, é bombardeada para consumir, e cada vez consome mais. Em nossa cultura, falar sobre redução de consumo, consumo consciente e coisas do gênero, nem sempre é uma conversa bem-vinda. As pessoas reagem mal quando são levadas a refletir sobre o fato de que tudo o que consomem gera lixo e que, assim como quando se compra uma mercadoria ela nos pertence, pertence também a nós o lixo que ela gera. Somos responsáveis pelos produtos que compramos do momento em que os tomamos em mãos até a destinação final que damos a eles.

O que fazer com o lixo é a pergunta que ronda o século XXI. Com tanto lixo caindo sobre nossas cabeças, o Brasil não teve mais como ignorar o problema e tampouco postergar uma ação concreta de enfretamento ao cenário exposto pelo lixo. Daí, depois de duas décadas adormecido, saiu da gaveta o projeto de lei que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, em 2 de agosto de 2010. Dois anos seria o prazo que o país teria para desenvolver os planos de gestão ambiental do lixo e implantar a política. Na maioria das cidades brasileiras os resultados são pífios, mas há outras que estão enfrentando o problema e já se sentem mais confortáveis e seguras para lidar com a situação.

Cabe à sociedade, participar, acompanhar e cobrar das autoridades a consecução da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O Blog do lixo é um espaço de convergência para esse debate, e esta coluna pretende trazer sua contribuição por meio da divulgação de notícias e informações que nos auxiliem na formulação de um pensamento coeso, articulado e forte o suficiente para promover mudanças no ambiente e em nossas cabeças.