Lixo, resíduos ou oportunidades?

30 de janeiro de 2013, por em Artigos

A gestão de resíduos sólidos é uma temática que ganha cada vez mais espaço nas cidades, empresas, grupos organizados e até nas famílias. Pouco a pouco, com as pessoas mudando seus conceitos sobre o que antes era considerado lixo, a sociedade vivencia ganhos importantes para o meio ambiente. Ainda estamos no começo, mas todas as iniciativas rumo a esta transformação são bem-vindas.

Se pensarmos que toda atividade realizada pelo ser humano produz algum resíduo, temos duas vertentes. A primeira é a de uma visão poluidora e complexa, num cenário de difícil solução, especialmente em função dos novos hábitos de consumo que o Brasil vem experimentando nos últimos anos. A segunda é apoiada num momento de oportunidades. Afinal, diversos projetos que abordam a gestão planejada e integrada dos resíduos têm se consolidado como alternativas viáveis, além de apontarem para novas oportunidades de negócio, geração de renda e preservação do meio ambiente.

Não queremos aqui, diminuir o impacto ambiental negativo causado pela disposição inadequada dos resíduos ao meio ambiente, tanto no passado, quanto no presente. Pelo contrário, estes resultam em fatores restritivos para o desenvolvimento, ao interferirem diretamente na qualidade de vida, saúde, economia e meio ambiente.

O fato é que aumentou o consumo e a produção nas indústrias brasileiras, mas também surgiu uma gama de setores especializados em reciclagem, artesanato, geração de energia limpa e até na construção civil, para citar apenas alguns. Há também uma crescente cadeia de profissionais e prestadores de serviços se especializando para difundir novas práticas sustentáveis.

Oportunidades estão por toda a parte, a começar pelos shoppings centers. Com o crescimento da nova classe média brasileira, esses estabelecimentos caíram no gosto popular, acarretando um grande fluxo de pessoas e também um volume cada vez maior de resíduos. Com a falta de segregação, artigos recicláveis e resíduos perigosos têm sido encaminhados indevidamente para o aterro sanitário ou até mesmo para lixões. Isto porque, assim como em grande parte das cidades brasileiras, a maioria dos shoppings no país não possui um Plano de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos.

Dados da Associação Brasileira de Shopping Centers – Abrasce – apontam que, atualmente, o Brasil possui mais de 445 shoppings em funcionamento, somente na região Centro-Oeste são 41, dos quais 15 estão localizados em Goiás. Porém, em meio a este cenário, empresas como o Flamboyant Shopping Center, em Goiânia, enxergaram oportunidades. Em 2007, nascia o Programa de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos (PGIRS). Numa iniciativa pioneira, o trabalho envolveu a consultoria da Escola de Engenharia Civil da Universidade Federal de Goiás, através do Núcleo de Resíduos Sólidos e Líquidos, o Instituto Flamboyant, lojistas e colaboradores, todos convidados a participar ativamente da elaboração do plano. Várias sugestões foram recebidas e analisadas, principalmente porque envolviam quem atuaria diretamente no processo.

Nesse contexto, o gerenciamento de resíduos sólidos do Flamboyant Shopping Center tornou-se uma poderosa ferramenta de contribuição para a preservação do meio ambiente, ao englobar um ciclo orientado para a redução, reutilização e reciclagem. Como resultado, o shopping adequou a capacidade do sistema de acondicionamento externo à geração diária de resíduos internos, implantou recipientes seletivos em todos os ambientes, Adotou medidas para minimizar resíduos e também maximizou a comercialização dos recicláveis.

A análise dos resíduos contempla desde o óleo gerado nas praças de alimentação, passando pela destinação dos mais diversos materiais – lâmpadas, baterias, resíduos das construções, papel e derivados, plástico, latinhas de alumínio e garrafas pet, até a separação de materiais infectocontagiosos, proveniente das farmácias, e também numa melhor orientação para o reaproveitamento. Como exemplos deste último, capins e plantas são transformados em adubo e, posteriormente, utilizados no paisagismo, pneus de automóveis viram móveis, madeiras são doadas a instituições que trabalham com artesanato ou marcenaria.

Muito além de atender à legislação ambiental, a proposta é difundir o reuso e a reciclagem dos resíduos, capacitar colaboradores e lojistas a aplicar novas práticas e também estendê-las às suas comunidades e lares. Atualmente, todos os recursos gerados pelo PGIRS são revertidos em projetos socioambientais realizados pelo Instituto Flamboyant, que beneficiam a sociedade e também colaboradores do empreendimento.

Medidas simples, somadas a projetos grandiosos, sejam de baixa ou de alta complexidade, pouco a pouco ganham espaço nas empresas, numa corrente onde todos saem ganhando. O meio ambiente agradece.