Mudar a postura diante do lixo é questão de educação ambiental

7 de novembro de 2013, por em Artigos
Mudar a postura diante do lixo é questão de educação ambiental

O impacto ambiental causado pela disposição inadequada dos resíduos no ambiente resulta em fatores negativos e restritivos ao desenvolvimento urbano. Eles reduzem a qualidade de vida e têm efeitos sobre a saúde, economia e o próprio meio.

O lixo é considerado um problema relativamente recente, já que a algumas décadas atrás era constituído basicamente por materiais orgânicos, facilmente decompostos pela natureza. Mas, com a mudança nos hábitos dos consumidores, o aumento de produtos industrializados e o advento das embalagens descartáveis, o lixo tomou outra dimensão e sua “composição” também mudou. Hoje, em vez de sobra de alimentos, as lixeiras transbordam de embalagens plásticas que levam em média mais de 100 anos para se decomporem, sem falar de outros materiais que têm vida longa, como o vidro, na faixa dos 4 mil anos.

Os dados variam um pouco entre uma fonte e outra, mas é certo que o Brasil produz cerca de 100 mil toneladas de lixo por dia, no entanto, recicla menos de 5% do lixo urbano. De tudo que é jogado diariamente no lixo, pelo menos 35% poderia ser reutilizado ou reciclado, e outros 35%, serem transformados em adubo orgânico.

O destino final do lixo é um dos agravantes da degradação do meio ambiente. A coleta seletiva permite a diminuição da quantidade de lixo produzido e o reaproveitamento de diversos materiais, ajudando a preservar alguns elementos da natureza no processo de reaproveitamento de materiais já transformados.

É importante ressaltar que a Política Nacional de Resíduos Sólidos, regulamentada em agosto de 2010, está fundamentada em critérios de definição da responsabilidade compartilhada com os geradores e indica a necessidade de reutilização e reciclagem dos resíduos sólidos, assim como a destinação ambientalmente adequada do lixo que não pode ainda ser reutilizado ou reciclado.

Considera-se que o problema não é, propriamente, a característica do lixo produzido, hoje, nos grandes centros urbanos, mas o destino dado a ele. Grande parte dos materiais que o compõe poderia ser reaproveitada ou reciclada, diminuindo, assim, a montanha formada nos aterros sanitários ou nos lixões das cidades. Outro aspecto importante da reciclagem, além da consciência ecológica, é o fator social. A coleta de material reciclável é, muitas vezes, a única fonte de renda dos catadores.

Os programas de coleta seletiva passaram a ser considerados como alternativa de fonte de renda para a manutenção e sobrevivência de muitas famílias, além de contribuem para sensibilizar a comunidade para sua participação efetiva na implantação da coleta seletiva de resíduos sólidos, separando os materiais recicláveis e/ou reutilizáveis diretamente na fonte geradora.

Mas, cabe ressaltar a importância de projetos de sensibilização e conscientização ambiental, que envolvam toda a sociedade e que tragam a ideia de que a reciclagem, por si só, não pode ser considerada a solução. É imprescindível a mudança de hábitos e atitudes da sociedade, com ações que minimizem a quantidade de resíduos na própria fonte geradora, consumindo menos, reutilizando embalagens descartáveis e descartando de forma correta os resíduos gerados.