Uma história de final feliz no descarte do óleo de cozinha – Márgara Morais

19 de maio de 2015, por em Artigos, Consumo
Uma história de final feliz no descarte do óleo de cozinha – Márgara Morais

Apesar de ser biodegradável, o óleo de cozinha é composto por substâncias insolúveis em água. E não se esvai pela simples pressão do jato da torneira da pia ou da descarga do vaso sanitário. Pelo contrário, no contato com a água e outros resíduos vai formando uma massa consistente, que dá origem a placas de placas de gordura, responsáveis pelo entupimento das tubulações domésticas e da rede pública.

Ao entrar nas tubulações, o óleo de cozinha obstrui o processamento do esgoto e sua passagem nas redes, além de afetar a operação das estações de tratamento.

Se for descartado nos cursos de d’água, não se sabe qual é pior. As propriedades químicas do óleo dificultam a troca de gases e a oxigenação, causando a morte dos seres vivos essenciais aos rios. Para se ter uma ideia da extensão do estrago, segundo os ambientalistas o óleo demanda muito mais oxigênio para se decompor do que o esgoto bruto.

Consumidor é o responsável – Acondicionar o óleo de cozinha usado de forma adequada é, em última instância, uma questão de segurança ambiental. O óleo usado deve ser armazenado em garrafa PET e encaminhado aos postos de entrega voluntária, em geral mantidos pela iniciativa de instituições sociais, não vinculadas ao poder público.

Infelizmente, a realidade é que a maioria dos municípios brasileiros – e mesmo as grandes cidades – não dispõe de instrumentos capazes de ajudar o cidadão nessa tarefa do descarte ambientalmente adequado dos resíduos.

Unidos por uma causa nobre – Nem por isso, a preocupação de algumas pessoas é menor. Em Crixás, região Norte de Goiás, uma experiência com a destinação ambientalmente adequada do óleo de cozinha usado uniu uma empresa, a mineradora Serra Grande, e a comunidade local, em um projeto inovador: criar uma fábrica de sabão para dar fim ao óleo que precisava ser descartado.

No início, a matéria-prima vinha apenas do restaurante da empresa, e o sabão era feito por um pequeno grupo de mulheres. Com o tempo, os moradores aderiram à campanha e passaram também a doar óleo usado para a fábrica de sabão.

Com o apoio da empresa, e administrado pelas próprias trabalhadoras, o projeto cresceu. A técnica de fabricação foi aprimorada e hoje o sabão dito ecológico ganha mercado na região. Em Crixás, todos se orgulham de estarem unidos por uma causa em prol do bem comum e se gabam da qualidade do sabão que produzem.