Semana do Meio Ambiente traz reflexões

7 de junho de 2016, por em Entrevistas, Sustentabilidade
Semana do Meio Ambiente traz reflexões

As comemorações em torno do Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, levantaram o debate sobre os problemas ambientais decorrentes dos impactos da atividade humana na Terra. O Blog do Lixo entrevistou pessoas da área para responderem a 2 perguntas: “O que temos a comemorar” e “O que temos a lamentar” em relação ao meio ambiente.

 

Ronaldo Dorta

Gestor ambiental, professor e coordenador do curso de Gestão Ambiental, da Faculdade de Tecnologia Senac Goiás

A comemorar – O momento atual, que coloca as questões ambientais na pauta das discussões planetárias; o avanço, embora tímido, do diálogo entre política, economia e meio ambiente.

A lamentar – A demora em se formar uma consciência e um entendimento universal de que há uma ligação intrínseca entre as dimensões ambiental, econômica, política e cultural; vamos continuar a aprender com nossos erros e vamos pagar caro por isso.

 

Marcelo Chaves

Missionário da Comunidade Canção Nova, jornalista e apresentador do Programa Preservação Ambiental, na TV Canção Nova

A comemorar – O lançamento pelo Papa Francisco da Encíclica “Louvado Seja”, que nos convida a um diálogo acerca do que ele chama de “nossa Casa Comum”. O documento apresenta a temática ambiental considerando inseparáveis a preocupação com a natureza que nos abraça, a prática da justiça para com os mais necessitados, o empenho particular de cada um na sociedade e a busca da paz interior. 

A lamentar – É preciso recuperar a capacidade de encanto e ao mesmo tempo de indignação. É urgente a necessidade de nos sentirmos menos dominadores da natureza e mais jardineiros da Criação. A renovação do diálogo sobre a maneira como estamos a construir o futuro do planeta precisa nos ajudar a reconhecer a grandeza do mundo em que vivemos. O desafio de proteger a nossa casa comum inclui a preocupação de unir toda a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral.

 

Renata Ogassavara

Bióloga e bacharel em Direito pela USP, mestre em Direitos Difusos pela PUC/SP e servidora do Banco Central do Brasil

A comemorar – Tivemos um ganho, ainda que pequeno, na consciência coletiva, no que tange à finitude dos recursos naturais, sobretudo da água. Os problemas ambientais revelam que cuidamos muito mal deste bem da natureza que julgávamos ser infinitamente renovável. Com a dor, sentimos que as ações antrópicas destrutivas são bem mais velozes que a capacidade de recuperação do meio ambiente. Quem sabe, planejaremos melhor o futuro dos reservatórios, as estruturas urbanas e rurais para reuso e economia, as técnicas de irrigação, a adoção de matrizes energéticas sustentáveis?

A lamentar – Nossa incapacidade de articulação mundial para o cumprimento de metas ambientais urgentíssimas – como as do Protocolo de Kyoto – e a prevalência de interesses econômicos da sociedade do consumo, movidos pela cegueira do curto prazo, os quais contribuem apenas para o agravamento da poluição, do efeito estufa, das extinções de espécies, da produção de lixo, bem como do aprofundamento das desigualdades sociais.

 

Deivison Pedroza

Presidente do Grupo Verde Ghaia

A comemorar – Acredito que a data precisa ser marcada por reflexões e discussões sobre como garantir o desenvolvimento do país preservando a natureza. Mesmo diante de problemas como crise hídrica, energética e de valores, vejo a situação como uma grande oportunidade de efetivamente pensarmos na questão ambiental de uma forma diferenciada e começarmos a agir. É hora de usarmos de forma racional os recursos naturais, buscar alternativas de energia, aliar a preservação ambiental ao desenvolvimento econômico, fazer com que o meio ambiente deixe de ser coadjuvante e passe a ser o ator principal da história.

A lamentar – O pouco que evoluímos em termos de mudança de hábitos, preservação ambiental, gestão dos recursos naturais e planejamento. É lamentável constatar o quão pouco temos feito pelo meio ambiente. Continuamos devastando nossas florestas, destruindo rios e ocupando terras férteis com gado.