Arte popular ajuda na formação da consciência ambiental

26 de fevereiro de 2016, por em Colaboradores, Lixo
Arte popular ajuda na formação da consciência ambiental

De alguns anos para cá, a reutilização vem sendo estimulada e até praticada, com a divulgação do tema e com a propagação de projetos socioculturais e ambientais envolvendo crianças e jovens em oficinas artísticas para a troca de experiências, brincadeiras, diálogos e interações. Nelas tem de tudo: de lápis de colorir e tintas a materiais selecionados do lixo para a montagem de brinquedos, instrumentos musicais, objetos decorativos e utilitários. Invenções criativas que despertam a consciência sobre o lixo que produzimos.

Nesse cenário, observa-se claramente os resultados positivos de projetos viabilizados por meio de legislações específicas de incentivo fiscal, tanto para a cultura, quanto para o esporte e o meio ambiente. É crescente o envolvimento de pessoas físicas e jurídicas que destinam parte dos seus impostos para projetos socioculturais e ambientais.

De 2006 pra cá, tenho tido a oportunidade de conviver com grandes artistas e desenvolver projetos ricos nessa vertente de se valer de linguagens artísticas como veículo de educação ambiental. Destaco aqui dois projetos marcantes: o Reaproveitando a Chapada e o Lixo Ritmado, Batuque Reciclado.

Reaproveitando a Chapada – Há quase 20 anos ocorrem eventos de culturas tradicionais na região da Chapada dos Veadeiros (Nordeste de Goiás), mais especificamente na Vila de São Jorge. O povoado, que tem aproximadamente 600 habitantes, chega a receber durante o período de festas uma quantidade de visitantes 15 a 20 vezes maior do que a sua população, tornando a coleta e destinação do lixo um grande problema.

Em julho de 2014, o projeto Reaproveitando a Chapada foi desenvolvido durante o evento, utilizando-se de oficinas de música, artesanato, brinquedos e design, tendo o lixo como insumo para todas as atividades. Durante uma semana os artistas / artesãos Guará, Dantas e Waldira Rodrigues, juntamente com o Grupo Boca do Lixo, movimentaram a Vila de São Jorge transmitindo a mensagem ambiental de maneira lúdica e divertida.

O projeto alcançou diretamente em torno de 500 pessoas de diversas idades e regiões do Brasil, além de vários estrangeiros. Foram reutilizados aproximadamente 1 tonelada de resíduos, transformados em instrumentos musicais e objetos de arte.

Lixo Ritmado, Batuque Reciclado – Desenvolvido entre 2006 a 2011 na região metropolitana de Goiânia, o projeto teve como objetivo básico a formação de blocos de percussão utilizando materiais retirados do lixo como instrumentos musicais.  Ao longo desse período, o projeto formou mais de trinta blocos permanentes (sobretudo com crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social), com ensaios semanais, e realizou centenas de oficinas avulsas em escolas e instituições, atendendo o público jovem.

O projeto envolveu mais de duas mil pessoas, sempre se valendo da música e do ritmo para promover a consciência ambiental, provocando a reflexão sobre consumo responsável e consciência na destinação adequada do lixo.

 

Christiano Verano
Produtor cultural.  Atua na elaboração, captação de recursos e gestão de projetos artísticos e socioculturais. Dirige a Mito Projetos Socioculturais.
veranogo@yahoo.com.br