Bioeconomia: uma nova tendência de mercado

3 de dezembro de 2018, por em Lixo
Bioeconomia: uma nova tendência de mercado

Uma instalação industrial se destaca em meio a uma vasta plantação monocromática. A chaminé expelindo uma fumaça branca contribui para o contraste da paisagem e dá a impressão de que se está observando uma tradicional indústria poluidora. No entanto, o que funciona no local é uma usina de etanol e a fumaça branca é apenas o vapor d’água saindo das caldeiras. Esse cenário é o que descreve uma típica indústria de bioeconomia.

Pode-se definir bioeconomia como sendo a prática de atividade econômica que utiliza matéria orgânica como parte do processo produtivo. Quando falamos de reutilização de água da chuva, produção de energia solar ou eólica e reciclagem de materiais, estamos falando apenas de sustentabilidade. No entanto, quando tratamos de biocombustíveis, compostagem, bioenergia e produção de biogás, setores que utilizam recursos biológicos (seres vivos), estamos falando de bioeconomia.

Potencial brasileiro

Para entender o potencial econômico que a bieoconomia tem para o país é necessário entender a situação atual dos biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel. A recente elevação dos preços do petróleo fez com que o álcool passasse a ser um combustível mais vantajoso para os motoristas, em boa parte dos países que contam com usinas de etanol. Recentemente, o governo brasileiro afirmou que está estudando a possibilidade de elevar de 5% para 15% a participação do biodiesel no óleo diesel tradicional.

Os biocombustíveis chamam a atenção pelo volume de negócios que movimentam e pela popularização que alcançaram. Leis de melhorias ambientais também fomentam o mercado destes combustíveis. Aqui no Brasil, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) divulgou recentemente que está elevando para 10% a participação do biodiesel no diesel comercializado no país.

Contudo, a utilização de combustíveis renováveis é apenas um pedaço da atividade conhecida como bioeconomia, que nada mais é que a geração de valor econômico a partir de fontes produtivas ambientalmente sustentáveis.

Mercado aberto

Embora o Brasil seja um dos maiores produtores de biocombustíveis do mundo, em matéria de bioeconomia ainda estamos engatinhando. A maior parte da matéria orgânica descartada é destinada a aterros e lixões, sem passar por nenhum tipo de tratamento especial. Se estes materiais estivessem sendo direcionados a usinas de biogás, muita energia poderia estar sendo produzida.

Outro exemplo de oportunidade pode ser visto no setor rural. Menos de 2% das propriedades possuem um biodigestor instalado. Caso todo o esterco de gado, suínos e aves fosse direcionado aos biodigestores, milhões de residências poderiam se valer de energia limpa, barata e rentável. Ainda há um mercado inteiro a ser explorado no Brasil, quando o assunto é bioeconomia.

Inovações no setor

Um desafio que tanto a bioeconomia quanto outras práticas de utilização de resíduos enfrenta é a dificuldade de encontrar as organizações que dispõem dos materiais para comercialização. As empresas que comercializam resíduos estão dispersas, o que torna o processo de compra e venda moroso e burocrático, dificultando o crescimento do setor.

Pensando neste desafio, a startup mineira VG Resíduos criou a plataforma Mercado de Resíduos que já foi premiada em projetos nacionais e internacionais como a 100 Open Startups e a Open Innovation Week (Oiweek), em ambas as seleções, a empresa ficou entre as cinco primeiras colocadas.

A ferramenta funciona como um “leilão do lixo”, conectando empresas que querem descartar os materiais produzidos para as firmas especializadas em tratamento e reaproveitamento do lixo. No caso do material orgânico, empresas de bioenergia ou compostagem podem fazer negócios com a organização geradora, possibilitando que bioeconomia seja praticada em larga, média e pequena escalas.

Guilherme Arruda
CEO da VG Resíduos