Projeto dá visibilidade ao trabalho dos catadores

1 de julho de 2016, por em Artigos, Lixo
Projeto dá visibilidade ao trabalho dos catadores

Todo produto que entra em nossa casa gera resíduo, que é descartado quando o produto não tem mais utilidade para nós. A partir dessa prática de utilização e descarte, você já parou para pensar para onde vão os resíduos que você produz? O caminho para que esse resíduo volte para a cadeia produtiva da reciclagem é longo e conta com a participação de milhares de catadores que atuam na coleta e triagem dos materiais.

Conhecer um pouco mais sobre a vida e o perfil sócio econômico dos catadores foi o que motivou um grupo de pesquisadores a desenvolver um levantamento e registro da realidade de quatro cooperativas de catadores de materiais recicláveis na região metropolitana de Porto Alegre/RS. O trabalho foi inspirado por uma dissertação de mestrado em Saúde e Desenvolvimento Humano, que mobilizou o grupo de acadêmicos a realizar uma pesquisa sobre a qualidade de vida e perfil sócio econômico dos catadores vinculados às cooperativas. Além dos dados levantados, o trabalho apresenta um registro fotográfico dos catadores, capturando sorrisos, expressões, modos de ser e fazer.

Os registros fotográficos resultaram em um livro, Recicladores de histórias, catadores de sorrisos, que reúne o histórico das cooperativas, os relatos dos cooperados, os registros fotográficos e o perfil socioeconômico e de qualidade de vida dos catadores entrevistados, e em uma exposição fotográfica itinerante, que já participou do Fórum Social Mundial 2016, em Porto Alegre, da Semana do Meio Ambiente do município de Esteio e, atualmente, visita espaços formais e não formais de educação.

A pesquisa despertou outras questões importantes a serem consideradas na pauta da gestão de resíduos sólidos, que é a relação entre meio ambiente, saúde pública e qualidade de vida dos catadores de materiais recicláveis. A melhoria das condições de trabalho e valorização da profissão do catador vem sendo abordada pelas políticas públicas, mas ainda é preciso uma articulação intersetorial que estimule a economia solidária, em que a gestão seja compartilhada e gere trabalho, renda e melhores condições de vida a essa parcela de trabalhadores excluída da população.

 

Daiana Schwengber

Bióloga, educadora ambiental, psicopedagoga e mestra em Saúde e Desenvolvimento Humano; doutoranda em Memória Social e Bens Culturais pelo Unilasalle/Canoas-RS
daia_schw@yahoo.com.br
http://daiaschw.wix.com/catadoresdesorrisos