Comércio de resíduos é mercado promissor no Brasil

16 de agosto de 2018, por em Sustentabilidade
Comércio de resíduos é mercado promissor no Brasil

A necessidade das empresas de investir em gestão ambiental está criando um mercado promissor no Brasil, que é o de tratamento de resíduos industriais, cuja projeção de crescimento é de mais de 20% nos próximos cinco anos, devendo alcançar a marca de R$ 16,3 bilhões em negócios. A previsão é da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre).

Em Minas Gerais, a Cultivar Soluções Ambientais, localizada no município de Machado, sul do Estado, está de olho nesse mercado. A companhia realiza o tratamento de resíduos Classe II A (animal, vegetal e industrial) por meio da compostagem. Por mês, a Cultivar recolhe cerca de 15 mil toneladas de resíduos e os encaminha para o processo de compostagem, onde são convertidos em fertilizante orgânico e o produto colocado à venda no mercado. 

Ramon Sepini Caixeta, supervisor de vendas e serviços da Cultivar, lembra que a Lei 12.305/2010, que regulamenta a Política Nacional de Resíduos Sólidos responsabiliza toda e qualquer empresa pela produção e destinação final de seus próprios resíduos.

A companhia projeta para esse ano um aumento de 35% a 40% no recebimento de resíduos e na produção dos fertilizantes. “Esse índice amplia nossa margem de faturamento e nos deixa bastante otimistas com o futuro dos negócios”, comenta Sepini.

Tecnologia como aliada

Enquanto algumas empresas já lucram com a compra e venda de resíduos, outras ainda esbarram na falta de conhecimento e gestão. Atento a essa deficiência, o grupo Verde Ghaia, por meio da startup VG Resíduos, criou uma plataforma online para auxiliar as companhias no gerenciamento das sobras de produção e conectá-las às empresas especializadas em destinação final de resíduos. “É uma espécie de ‘Uber’ dos resíduos”, explica o CEO da VG, Guilherme Arruda. “Por meio desse sistema, é possível gerenciar, comprar e vender resíduos, além de encontrar empresas de transporte e tratamento. O software aproxima companhias geradoras e tratadoras”, conta.

Para o gerente geral da Ecosust Soluções Ambientais, Gustavo de Carvalho, além de trazer comodidade para a empresa, a plataforma amplia a oportunidade de negócios. “Trabalhamos com destinação final de resíduos Classe I e II e, com o auxílio do software, conseguimos captar clientes em todo o país”, explica. Segundo o gerente, a demanda pelo descarte adequado de resíduos está aumentando, bem como a fiscalização sobre essa prática. “Para nós que trabalhamos com destinação final, é a chance de expandir os lucros e, nesse ponto, a plataforma tornou-se uma grande aliada”, salienta.

Segundo o CEO da VG, atualmente já são 3.500 empresas cadastradas na plataforma e a expectativa é de que esse número dobre até o final do ano. “Essa projeção é reflexo da vigência de uma legislação mais forte, que responsabiliza as empresas pelo que elas produzem. Isso está mudando a cultura dos empresários, que buscam, cada vez mais, cumprirem com sua responsabilidade ambiental. Então, a tendência é de que realmente o comércio de resíduos se expanda e se fortaleça nos próximos anos”, projeta Guilherme Arruda.