Indústria cultural produz bens de consumo sustentáveis

8 de abril de 2015, por em Colaboradores, Sustentabilidade
Indústria cultural produz bens de consumo sustentáveis

Desde as primeiras organizações sociais até o início do século XVIII, o comércio era a principal atividade econômica da humanidade. A produção industrial era incipiente, artesanal, empírica. A partir dos séculos XVIII e XIX, impulsionadas pela Revolução Industrial, as indústrias se consolidaram como grande motor da humanidade e da economia global, tornando-se a principal atividade em geração de emprego e movimentação de recursos. O desenvolvimento das nações podia ser medido pelo nível de sua industrialização e pela capacidade de transformar recursos naturais em produtos.

A partir da segunda metade do século XX, a evolução da humanidade nos levou à chamada Sociedade da Informação, também conhecida por Sociedade do Conhecimento, em processo de formação e expansão, e que vem abrindo portas para uma economia mais criativa e uma variedade de produtos e serviços que passaram a dividir espaço e importância com as atividades produtivas tradicionais.

Elian Alabi Lucci, em “A Era Pós-Industrial, a Sociedade do Conhecimento e a Educação para o Pensar” (Editora Saraiva) afirma:“Vivemos na era Pós-industrial, um novo mundo, onde o trabalho físico é feito pelas máquinas e o mental, pelos computadores. Nela, cabe ao homem uma tarefa para a qual é insubstituível: ser criativo, ter ideias”.

Insumo criativo – É nesse contexto que, a partir do início do século XXI, o termo “indústria cultural” vem sendo substituído (ou complementado) por “indústria criativa”. Além das linguagens artísticas tradicionais (música, teatro, literatura, dança, artes visuais, cinema), a indústria criativa engloba ainda arquitetura, design, artesanato, joalheria, publicidade, criação de softwares e games, além de outras atividades relacionadas à criatividade. Conforme definição da UNCTAD (sigla em inglês para Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), indústrias criativas são “os ciclos de criação, produção e distribuição de bens e serviços que usam criatividade e capital intelectual como insumos primários”.

Boa de emprego – Embora os estudos ainda sejam recentes, levantamento do Banco Mundial aponta que atividades ligadas à economia criativa gerem aproximadamente 7% do PIB mundial. No Brasil, estima-se que a indústria criativa movimente entre 5% e 6% do PIB, segundo levantamento do Ministério da Cultura, IBGE e IPEA. Além de ter uma participação crescente no PIB mundial e nacional, é um segmento que emprega mais pessoas do que a média dos outros setores, bem como remunera melhor os profissionais envolvidos.

Trata-se de uma indústria ligada ao bem-estar, ao prazer, ao lazer, ao entretenimento. A indústria criativa proporciona às pessoas ouvir uma boa música, assistir a um filme, contemplar os grafites nas ruas ou as obras de arte em galerias, viajar numa boa leitura.

Lixo transformado – Além do baixo impacto ambiental dos processos e produtos advindos da indústria criativa, ainda temos uma boa safra de artistas que se valem do lixo produzido pela sociedade como matéria-prima para suas criações. Atualmente, são inúmeros os músicos que fazem da sucata seus instrumentos, assim como artesãos que transformam lixo em belíssimas peças artesanais ou designers que reciclam para construir móveis ou objetos utilitários e de decoração. O vídeo “A Casa do Mestre André” (abaixo), do Circo Teatro Udi Grudi, traz diversos registros sobre o tema. Trata-se de uma belíssima aula de educação ambiental, com muita música, bom humor e criatividade.

Christiano Verano
Produtor cultural
verano@yahoo.com.br