Políticas públicas ensejam mudanças

22 de janeiro de 2016, por em Colaboradores, Sustentabilidade
Políticas públicas ensejam mudanças

Os últimos dez anos vieram com um turbilhão de demandas para o setor produtivo e com a mudança de paradigmas nas políticas empresariais e na própria forma de se fazer negócios. E isso não é só no Brasil. De uma hora para outra, o mundo vai se dando conta da escassez de recursos naturais e da impossibilidade de o planeta fornecer insumos para uma população que cresce em níveis preocupantes.

Obter o equilíbrio entre essas forças distintas e ao mesmo tempo convergentes é o ideal que encerra o conceito de sustentabilidade e que está levando ao surgimento de um novo modelo de produção, que concilie crescimento econômico e preservação ambiental, vertentes consideradas hoje pelo mercado como sendo estratégias complementares, atuando em sinergia.

Para a indústria, fortemente responsabilizada no processo de geração de bens de consumo, os desafios são grandes, levando as empresas ao exercício cotidiano de buscar conhecimento, novas práticas e de se modernizarem. Em muitas delas, despontam empresários que estão assumindo o papel de líderes, guiados por valores éticos e morais que alimentam essas mudanças e trazem à cena uma nova forma de pensar, agir e produzir. Saem da retórica para de fato efetivar os conceitos do chamado triple bottom line, baseado na interdependência entre os sistemas produtivo, social e ambiental.

De outro lado, pressionado por essa conjuntura, o governo brasileiro implementou projetos e ideias que ficaram anos adormecidos, mas que hoje ocupam o centro dos debates, materializados em políticas públicas reguladoras, que disciplinam o uso de bens comuns, como a água, e imputam a responsabilidade compartilhada entre cidadãos e entes federativos, como é o caso da Política Nacional de Resíduos Sólidos.  

As organizações que avançaram na inserção do conceito de sustentabilidade em seus negócios estão investindo em pesquisa, desenvolvimento e inovação de processos, produtos e serviços. Cabe ao governo, incentivar tais iniciativas, beneficiando com acesso a linhas de financiamento e desoneração tributária aquelas que adotarem modelos sustentáveis de produção, empregando os recursos naturais de maneira eficiente e renovável.

Mas isso só, não basta, será preciso investir em educação, visto que as políticas públicas pressupõem condutas próprias de uma sociedade consciente e avançada, como as relacionadas ao sistema de logística reversa, contido na Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Márgara Morais
Editora do Blog do lixo
margara@gmail.com

(artigo publicado originalmente na revista Cores)